Rio do Sul 6


Ótima receptividade e conversas esclarecedoras, esse é o resumo parcial da principal cidade do Alto Vale do Itajaí.

Saindo de Timbó, parei em Rodeio para beber água numa venda de estrada e acabei conhecendo uma facção! Do Paraná para baixo, essa palavra significa confecção de roupas que presta serviços para uma empresa maior.

Voltei para a estrada e eis que vejo um furgão tendo o pneu trocado no acostamento. Ofereci ajuda e o rapaz disse: Se tu queres ajudar, aceito.

O Beto acabou me dando uma carona de 20km na área mais perigosa desse trecho, onde diversos pedaços de rochas caem pelo paredão da Serra rente ao acostamento.

Esse foi o lado ótimo. O ruim é que me machuquei. Ao colocar a bike na van, pisei em falso no para choque traseiro e meu pé escorregou em alta velocidade. Bati a canela com tudo, houve um pequeno corte e ela inchou instantaneamente. Mas não doeu 😉

O Beto me deixou em Ibirama, onde comecei minha busca por gelo e acabei entrando no Tambani, o Supermercado das Flores. Que lugar agradável! Ganhei o gelo necessário para a canela e tive uma ótima conversa com a Rosane, que morou em São Bernardo do Campo aos 16 anos. Simpatia pura.

Rosane e Adriana

Rosane e Adriana

Chegando em Rio do Sul fui muitíssimo bem recepcionado pelo Márcio da Bicicletaria Canta Galo. Pedi uma recomendação de hotel e saí com mais que isso: amigos!

Ele conseguiu o hotel ideal, me deu dicas sobre a região e disse antes de se despedir: traga a bike amanhã e te farei uma revisão gratuita. Pouco gente boa?

Chegando ao hotel, ótimo atendimento do Mauri que é padrinho do Márcio. Fiz amizade com dois outros figuras, o Cesar que é o recepcionista da noite e me deu uma aula sobre as cheias dos rios na região. O Cristiano é motorista de ônibus e está provisoriamente hospedado enquanto não termina a reforma do apto onde ele irá morar com a namorada, que é do Maranhão.

Cristiano e Cesar

No dia seguinte fui conhecer a Thyara que me respondeu no CouchSurfing. Ela é atriz, faz parte do grupo Trip Teatro e atuaria na peça Sou Lenda, Sou Maria.

Thyara e Tati

Thyara e Tati

Gostei demais do espetáculo. Envolto em inocência e com excelente som ao vivo, a peça foi apresentada no Teatro Embaixo da Ponte, a casa desse grupo que viaja o mundo mostrando a sua arte.

Fui apresentando ao Willian Sieverdt, diretor/ator da Trip Teatro e Superintendente da Fundação Cultural de Rio do Sul , que oferece cursos em diversas áreas da cultura para aproximadamente 2.500 alunos. Ele me mostrou a excelente estrutura do local que ainda engloba o Arquivo Público, a Biblioteca Municipal, o Museu de arte e o Museu Histórico Cultural.

Willian Sieverdt - Fundação Cultural

Willian Sieverdt – Fundação Cultural

Almocei no Restaurante Encontro dos Rios, onde fui abordado pelo simpático casal Hanno e Sandra Spieweck. Eles viajam de moto e em seu cartão de visita há a imagem de uma moto de um lado e um cachorro do outro. Parecida com a minha placa com o gato Costinha 🙂

O Hanno se ofereceu para pagar o meu almoço, agradeci mas não aceitei. Quando fui pagar a conta, o Moacir Bonezzi, proprietário do restaurante, disse que era por conta da casa e rasgou a comanda. Essas pessoas são muito bacanas, os bons momentos se somam a cada dia.

Hanno e Sandra

A Thyara e o Willian conseguiram uma hospedagem para mim na Oca Cultural, uma casa coletiva com gente talentosa e de atitude – aquela coisa que muda o mundo. Fui recebido pela Susana Lima, que contou sobre o projeto, as atividades na casa e me disponibilizou um ótimo dormitório. Ela também me apresentou o Stéfano Fonseca, o Diego Oliveira e o André Arruda, além de um rotweiller que foge quando o chamam e uma gata presa no quarto por estar  no cio.

Oca Cultural

Levo tudo de bom que aconteceu nessa querida cidade, onde aprendi muito e me motivei demais pela cultura que corre por todos os cantos. Até onde geralmente só encontramos pobreza e sujeira, o já falado e por mim muito admirado Teatro Embaixo da Ponte.


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6 thoughts on “Rio do Sul

  • Anna Rizzo

    Nossa como mudou rápido o cenário em dois dias!!!!
    E sua perna melhorou?
    O termo facção é familiar pra mim, por tbem ser no meio de moda. As indústrias de moda utilizam essa mão de obra p otimizar suas produções. Apesar de possuírem suas oficinas em suas empresas, elas na maioria das vezes são utilizadas p desenvolver peças piloto e outras poucas produções.
    Amei a foto da oca cultural. Bjs carinhosos.

    • Factivel Autor do post

      Muda tudo muito rápido, Anna. Mas há também muita similaridade.
      A canela está zerada, sarou durante a noite de sono.
      Pois é, assustei com essa palavra. E gostei de ver o povo trabalhando, gente esforçada.
      Postarei uma foto da Oca com os moradores, ficou muito boa também.
      Beijos!

    • Factivel Autor do post

      Grande amigo e parceiro no ciclismo! Amém, Renato. É muita cooperação numa viagem como essa. Alguns pessoalmente, outros à distância e jogando o melhor dos pensamentos. Muito obrigado pelo apoio, nos vemos na estrada. Abraços!